Vamos matar o vírus, não a criatividade

Nem precisa procurar na Netflix o filme Feitiço do Tempo. Todos nós somos Bill Murray, presos no dia da marmota que se tornou essa pandemia. A ansiedade só aumenta com tantas lives nos mandando aprender algo novo a cada minuto livre. Não é à toa que as pequenas indulgências fazem o e-commerce bombar. A falta de […]

Por Magali.Moraes
Publicado em 23/07/2020

Nem precisa procurar na Netflix o filme Feitiço do Tempo. Todos nós somos Bill Murray, presos no dia da marmota que se tornou essa pandemia. A ansiedade só aumenta com tantas lives nos mandando aprender algo novo a cada minuto livre. Não é à toa que as pequenas indulgências fazem o e-commerce bombar. A falta de convívio com amigos e familiares é compensada comprando mais vinhos, livros e pijamas. Isolamento? Menos do carboidrato. Se todos os pães e bolos feitos na quarentena fossem enfileirados, dariam quantas voltas ao redor do mundo? Se alguém pudesse viajar, é claro. Quatro meses depois, ainda deixamos o microfone fechado nas reuniões do Zoom (o que nos faz rir e relaxar).

Falando nele: o trabalho remoto. Disciplina para produzir em casa não é um talento de todos. Como ser organizado, focado e motivado em uma rotina estagnada? A angústia e a depressão batem ponto. No meio disso tudo, como fica a criatividade? Mudei de agência duas semanas antes de oficializar a quarentena. A BriviaDez sempre teve uma cultura nômade, onde home office era o velho normal. Mas naquela sexta-feira, 13 de março, quando fomos todos pra casa, eu me perguntei como seria. 

E não é que uma empresa movida por resultados e métodos ágeis abriu espaço para a gente discutir a relação? Em abril, tive a ideia de fazer uma live-terapia para que todo mundo colocasse na pauta suas vulnerabilidades pandêmicas. Rendeu tanto que já aconteceu a segunda edição. E, em breve, será aberto um canal de apoio psicológico, sempre com o suporte das fadas sensatas Silvana Ramos e Fernanda Maciel, além da turma querida do Capital Humano.  Assim é bem mais fácil ser criativo, né? São iniciativas como essa que ajudam a baixar a ansiedade e estimulam a criatividade sufocada pelas tensões do dia a dia. Vamos matar o vírus, e não a atitude criativa. O mindset corporativo precisa mudar. Home office é romantizar o momento. Trabalhar em isolamento social é bem diferente, e pode ser tenso conciliar casa, família e metas. Enquanto escrevo esse texto, há 60 vagas abertas na BriviaDez. Estamos crescendo em plena pandemia. O que posso garantir a meus futuros novos colegas? Venham! Agora também é cultura da casa uma boa sessão de terapia.

Publicado originalmente em 23/07/2020 na Coletiva.net